Alckmin não descarta participação do PCC na morte do Cabo Bruno

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) afirmou que o assassinato do Cabo Bruno será apurado e não descartou que a ação tenha sido executada a mando do crime organizado. "Vamos fazer a investigação, vamos ver a causa, saber se foi uma execução. Ele ficou muitos anos no sistema carcerário", disse. 
Já o secretário de Estado da Segurança Pública, Antônio Ferreira Pinto, descartou a participação do PCC. O diretor do Departamento de Polícia do Interior (Deinter-1) em São José dos Campos, João Barbosa Filho, não descarta ter sido uma ação do PCC, mas afirma que a principal hipótese é a de vingança por algum parente de vítima de Bruno. As informações são do jornalFolha de S. Paulo.

Acusado de ter matado mais de 50 pessoas, Cabo Bruno ficou conhecido como "o matador da zona sul". Na cadeia, ele se tornou evangélico. Em pouco tempo, virou pastor e passou a pintar telas, chegando a fazer exposições de suas obras. Nos 35 dias que passou em liberdade, Cabo Bruno dedicou-se à mulher, a cantora gospel Dayse França, 45 anos, e à igreja Refúgio em Cristo, em Taubaté. Em seu velório, cerca de 80 pessoas prestaram a última homenagem e a suspeita de vingança foi levantada por conhecidos. "Creio que foi vingança. Não tinha outro motivo, ele quase não saía (de casa). Embora nas entrevistas ele tenha pedido desculpas, sempre fica uma rixa", disse Alaíde Guimarães, 51 anos, amiga da família. O corpo foi levado a Catanduva, onde mora a mãe.

Morte misteriosa

Florisvaldo de Oliveira, conhecido como Cabo Bruno, foi assassinado no fim da noite do dia 26 de setembro, em Pindamonhangaba, pouco mais de um mês depois de deixar a penitenciária Doutor José Augusto César Salgado, no município vizinho de Tremembé, após cumprir 27 anos de prisão.
De acordo com a Polícia Civil, Oliveira voltava de um culto religioso com a família, por volta das 23h50, e já estava próximo da residência onde vivia quando foi abordado por dois homens. Ele desceu do carro e sofreu cerca de vinte disparos, a maioria no rosto e no abdômen, morrendo já no local. Os parentes, que ficaram dentro do veículo, saíram ilesos e nada foi roubado.
Acusado de chefiar um esquadrão da morte na polícia, Cabo Bruno foi condenado a 113 anos de prisão por matar mais de 50 pessoas, na zona sul de São Paulo, na década de 1980.

Ele foi preso pela primeira vez em 1983. Em sete anos, o ex-policial fugiu três vezes do presídio militar Romão Gomes - uma delas depois de fazer funcionários reféns. Em maio de 1991, foi recapturado e encaminhado à penitenciária Dr. José Augusto Salgado, em Tremembé (SP).
A Justiça já havia permitido, em 2009, que Cabo Bruno cumprisse o restante da pena em regime semiaberto. A decisão, na época, levou em conta parecer do Ministério Público baseado em exames psicossociais e comportamentais, que favoreceram a deliberação dos promotores.

No último dia 23 de agosto, a juíza Marise de Almeida, da 2ª Vara de Execuções Criminais de Taubaté, concedeu indulto pleno ao ex-policial, além de declarar extintas as penas contra ele. A decisão foi tomada com base na "boa conduta carcerária" do preso.

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