Coronel Íbis Silva reconhece que estratégia no conjunto de favelas da Zona Norte precisa ser repensada
Rio - A pacificação no Alemão fracassou e é preciso repensar a estratégia para recuperar o território perdido — além de corações e mentes dos moradores. A opinião do coronel Íbis Silva, chefe de gabinete do comando-geral e ex-comandante da Polícia Militar, foi dada ontem, no 9 º Encontro Anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, na Fundação Getúlio Vargas. Íbis falou sobre o tema ‘Homicídio de Jovens Negros’, ao lado de Raull Santiago, do Coletivo Papo Reto, do Alemão; Átila Roque, diretor da Anistia Internacional, e Sílvia Ramos, diretora do Centro de Estudos de Cidadania e Segurança (Cesec), da Universidade Cândido Mendes.
“Fracassou (a pacificação do Alemão) porque começou de forma errada”, disse o oficial. “Ao contrário do que fizemos no Santa Marta, que continua sendo um exemplo bem sucedido, não reunimos lideranças do complexo antes de entrarmos no território, até por conta do contexto, já que era uma resposta aos ataques que a cidade sofria de bandidos. Foi uma ação ousada, mas hoje precisa ser repensada.”
O coronel Íbis discursou nesta quarta-feira em debate no 9º Encontro do Fórum Brasileiro de Segurança PúblicaFoto: Divulgação
Para Íbis, a entrada espetaculosa na favela em 2010, transmitida ao vivo, oferece mensagem inconsciente de conquista de território inimigo. “E enquanto se trabalha com esta mentalidade, é quase o mesmo que acontece com tropas de ocupação num território inimigo: hostilizada pela população e o tempo inteiro tendo de ficar administrando conflitos.”
Para o oficial, o processo de pacificação permite recuos e avanços. Ele acredita que uma reocupação com forças especiais da própria PM, seria a melhor opção. Mas frisou que a opinião é pessoal, não da corporação. Íbis admite que o policiamento de proximidade está falho na favela, que teve mais um jovem morto anteontem. A confiança que a presença das forças de segurança deveria gerar já não existe, e moradores e PMs estão acuados. “A pacificação não pode prescindir de uma proximidade, do estreitamento de relação entre a comunidade e a polícia.”

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